O poeta partilha alguns versos do seu mais recente livro.

Transcript:
Entre a música e o silêncio, o amor, o humor e o desamor.
Entre Deus e a igreja do ateísmo, os cabos das tormentas e os gatos de Roma.
Entre o banqueiro anarquista e os teóricos dos antigos astronautas.
René Higuita e o exército da libertação da COVE.
Entre a New Wave e o New Age, momentos de publicidade e erros de casting.
Entre a merda de pombo e a paz dos pequenos nadas, os versos caminham pelo purgatório.

Olá, sou Miguel Barreto Henriques, natural de Coimbra, mas atualmente radicado na Colômbia.
Sou professor, investigador, poeta e sofá de gatos, em ordem inversa de importância.
Estudei Relações Internacionais e Resolução de Conflitos na FEUC e passei vários anos pela RUC.
E queria convidar-vos para o lançamento do meu mais recente livro, Poemas do Purgatório, obra distinguida este ano com o Prémio Imprensa Nacional Ferreira de Castro, o lançamento será no sábado 20 de dezembro, às 18h30, no Café do TAGV, com a apresentação da professora da Faculdade de Letras, Martina Matossi.
A entrada, tal como os versos, é livre.

Deixo-vos como aperitivo o poema 12, Alexandre Street, Mitz, Rua Nicolau Chantaran, 242, 2º, posterior esquerdo.

Desde a minha janela Via-te com uma longa
barba paquistanesa Sentado introspectivo

Com o olhar divagando Viajando Com a
mesquita de Bradford de fundo A que
montanhas ou terras castanhas Chegava o

teu olhar Do outro lado da rua E do mar Via-te à janela Com esse olhar cuscuvilheiro,
tão português, a ver quem passa.
Que vias, quando não vias com os olhos?
Uma aldeia na beira?
Três mulheres de negro a falar à porta de uma casa?
Espero que um dia os vossos olhares se cruzem em qualquer esquina do tempo ou do mar e sorriam.